Quando precisaram colocar a religião diante de seu oposto, Benjamin e outros, não a opõem ao ateísmo, mas ao mito, sistema vivo e maleável, ao contrário da religião, codificada em livros, códigos e dogmas.
Ao tentar entender o mito, Blumemberg o compara aos dogmas que definem limites claros entre os ortodoxos e heterodoxos, interpretações permitidas e proibidas dos livros. Os mitos, vivos, contraditórios, sem uma versão canônica embalsamada em livro, diante de variações em sua matéria, convivem, em vez de designar a diferença como herética.
O problema é o livro, que mumifica o mito, que torna o cadáver do símbolo alicerce para igrejas, que nomeia pessoas guardiãs dos limites do infinito, que nomeia os guardiões do limite autoridades sobre vida e morte, baseados em interpretação de texto.
O mito, vivo, adaptamos à nossa vida, ao mundo que construímos. O dogma, morto, agrilhoa a vida ao mundo que superamos.

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