Vivemos um mundo em que a realização do sujeito é passiva. Onde seu valor vêm não do que faz, mas do que consome: qual cerveja bebe, qual série assiste, qual café toma. A vida se torna apenas escolher entre as opções de consumo que o deus mercado oferta e lhe oferecer em holocausto nossa própria capacidade de criar.
Um dos pontos-chave da sociedade industrial foi a transformação do artesão em mero apertador de parafusos, que apesar de trabalhar, não cria, porque é apenas uma peça biológica em uma máquina chamada fábrica. Um dos pontos-chave da formação dos estados nação foi a transformação de senhores feudais em meros cortesãos, que apesar de reinarem, não governam, pois são apenas uma peça biológica em uma máquina chamada Estado. Um dos pontos-chave da criação dos oligopólios de mídia foi a transformação dos jornalistas em apresentadores, que apesar de comunicarem, não informam, pois são apenas uma peça de biológica em uma máquina chamada publicidade.
Estamos há séculos transformando, cada vez mais, as pessoas que tinham alguma agência no mundo em meros objetos de sistemas, criados para reproduzir um mundo, mas não para produzir o novo. E estamos criando, e nos contentando com, sucedâneos da vida ativa, que nos permitem ter a impressão de que ainda vale a pena arrastar a carcaça dia após dia na Bola de Lama.
É preciso criar mais. É preciso fugir de uma construção que perpassa classe, gênero e orientação sexual que diz que o indivíduo se realiza ao obter o que lhe foi produzido por outro. Fugir e criar. Enfrentar as dificuldades de fazer, as dores da criação. É preciso assumir a autonomia da vida e ver cada dia como um objeto, fabricado por nossas mãos. É preciso acreditar que temos escolha. É preciso fabricar as escolhas.
Por que?
Porque ao final da temporada te assola a angústia por mais. Ao final da obra te alimenta a realização.
Porque o consumidor é sempre dependente, sempre infantil, sempre uma criança que precisa ser nutrida, alimentada pelos verdadeiros adultos. Porque vivemos em um mundo de eternas crianças.
Porque a autonomia é o resultado de um crescimento que deixamos de experimentar. Um objetivo que esquecemos de perseguir.
Porque às crianças, cabe obedecer seus provedores. Aos adultos, cabe reinar.

Roney Belhassof
@masdivago “Estamos há séculos transformando, cada vez mais, as pessoas que tinham alguma agência no mundo em meros objetos de sistemas, criados para reproduzir um mundo, mas não para produzir o novo”
Como criar o novo se estamos presos à reprodução e à contemplação passiva?
E esse nem é o melhor pensamento do post!!
Resposta remota
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Ás na mão errada :v_com: :v_br:
@Roneyb @masdivago Esse texto é o mais perto de um manifesto artístico que cheguei, e o curioso é que não fala quase nada sobre o conteúdo ou estilo das obras de arte, rs.
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StellaFlores
Pior que é isso mesmo. O TER substituiu o SER.
Mas divago...
Afinal, comprar é muito mais fácil que fazer.