A Academia presta um serviço essencial para as pessoas que são incapazes de conversar casualmente por horas sem um assunto definido. As pessoas incapazes de transformar “como foi seu dia” em duas horas de comentários aleatórios sobre a vida dos outros. A Academia permite conversar sobre assuntos. Sobre os temas que a gente ama.

Infelizmente, isso esse serviço se restringe às aulas, porque os coleguinhas tem o péssimo hábito de considerar conversar sobre os temas um trabalho, a ser executado apenas nas aulas e remunerado com pontos.

Isso explica porque a gente depende da Academia. Porque a gente sai da Academia, mas a Academia não sai da gente. Porque viver na Academia vira um desejo.

Porque o dia a dia, as relações sociais, as lives de horas sem assunto, os influenciadores de estilo de vida, simplesmente não tem o necessário para satisfazer a Academia dentro da gente, anterior até a conhecermos a Academia fora da gente.

Weber chamaria de vocação. É um bom nome, ainda mais por vir carregada do sentido cristão de vocação não como algo que você busca, mas como algo que te persegue. Algo para o que não há escapatória, porque a Academia fora da gente é apenas a materialização da que habita espíritos inquietos desde tempos imemoriais.