A melhor forma de esconder uma árvore é na floresta, a melhor forma de esconder uma informação é na internet. Houve um tempo, do qual muitos ainda lembramos, em que era possível encontrar coisas na internet, mas como o negócio da internet é tornar a publicidade necessária, hoje em dia é quase impossível encontrar o que você deseja.
Isso quer dizer que hoje em dia, publicar algo na internet é quase o mesmo que deixar seus escritos na gaveta. As chances de alguma pesquisa levar a ela, a chance de seu site aparecer na primeira página de qualquer mecanismo de busca são nulas. Seja qual for o assunto, há sites caça cliques com SEO automatizado, conteúdo automatizado, gerado em escala industrial por LLMs. Publicar na internet é esconder uma árvore na floresta.
Plataformas “sociais”, com seus algoritmos de recomendação, são a solução que todos usam, mas cada vez mais elas se orientam pelos mesmos princípios, com seus fluxos “for you”, em que a escolha do que vai ser visto é feita por critérios de viralização e engajamento.
Esta condição nos leva de volta à concentração da atenção em poucas mídias, controladas por poucas pessoas, que monopolizam a atenção. Monopólio não mais garantido pela barreira de entrada, a dificuldade de montar uma rádio ou transmissora de TV, mas pela futilidade de manter um canal de TV sem espectadores. Mesmo que o mecanismo seja o exato oposto, o resultado é o mesmo, a morte do sonho da democratização da comunicação.
Por trás desta contradição, de tanto as barreiras de entrada quanto sua ausência resultarem em concentração e monopólio, está o mesmo pecado original: a publicidade.
O modelo de financiamento das mídias tradicionais e da internet, baseada na venda de atenção, cria incentivos para que os atores econômicos façam de tudo para monopolizar a atenção. Criar uma plataforma online sem links externos, como o Instagram, tornar a pesquisa inservível, como o Google. A publicidade, assim como na TV, ou nas leis de incentivo à cultura, decide, em última instância, o que vai ser publicado. A publicidade é o motivo da internet estar cada vez pior.
Deveríamos debater com muito mais profundidade e necessidade de outros mecanismos de financiamento da internet, para além da publicidade e do OnlyFans, e mecanismos de reduzir o poder e o peso da publicidade sobre ela.
Em algum lugar, alguém vai decidir o que é publicado e visto. Seja a agência de gestão de mídias sociais, o motor de busca, o editor do jornal ou o curador de um museu. Em algum lugar, precisamos da decisão de o que merece receber recursos, dinheiro, visibilidade. Quem faz isso hoje são duas empresas: Alphabet e Meta, através de algoritmos que maximizam seus lucros e tornam a internet um lugar pavoroso que esta nos levando a uma degradação social inédita. Como sociedade, precisamos do direito de definir os critérios, os modos de financiamento e visibilidade da cultura. Para isso, precisamos ir além da publicidade.

umvitor
@masdivago muito boa a analogia
Resposta remota
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